Vários jornalistas de Macau deslocaram-se a Las Vegas para contacto com a realidade da indústria do jogo em casinos.
De acordo com o diário Ponto Final, de 23/10/2003, Steve Wynn, que obteve uma das três concessões do jogo atribuídas pelo governo de Macau, «fez questão de explicar que a sua insistência na aprovação das reformas se deve ao facto de «querer, em sinal de respeito por Macau, cumprir rigorosamente as leis em vigor em Macau».
Wynn recorda que nos casinos do território é actualmente concedido crédito por agiotas, pelos promotores de jogo ou junkets e pelos próprios operadores dos casinos, mas que tudo isso acontece em desrespeito das leis em vigor, que restringe essa faculdade ao sector bancário.
«Sei que todos eles serviram o interesse público ao longo dos últimos 40 anos», reconhece Steve Wynn. «Mas nós queremos conceder crédito no nosso casino de Macau e se isso for ilegal, teremos problemas em Las Vegas e também em Macau».
Daí que seja necessário acabar com o desfasamento entre o que consta na lei e o que é prática corrente: «Queremos que a lei e o interesse público coincidam». E essa é a sua única preocupação, garante. «Não me parece que seja nada de estranho», afirma por mais de uma vez. (...) Steve Wynn diz também que não é contra o sistema dos junkets e que até poderá vir a trabalhar com alguns deles. Insiste, no entanto, na necessidade da sua prévia legalização. «Não percebo como é que alguém pode estar contra isto, espanta-se».
Enfim, de acordo com o texto, a lei em vigor, restringe a concessão de crédito nos casinos ao sector bancário, mas verifica-se uma prática ilegal uma vez que a concessão é efectuada por agiotas, pelos promotores de jogo ou junkets e pelos próprios operadores dos casinos.
O detentor de uma das três licenças de jogo, sugere «acabar com o desfasamento entre o que consta na lei e o que é prática corrente» legalizando os junkets e a concessão de crédito pelos casinos!
Se a lei for no sentido defendido no artigo, então alguma coisa mudou na sociedade de Macau. Será lastimável haver mudanças deste género pois isso significa de facto que Macau está a apelar a que se jogue, e que as pessoas se endividem, etc. Ou seja, está a promover tudo aquilo que existe de mais negativo no jogo e é a razão de ser do actual enquadramento legislativo. Se continuarem com o mesmo raciocínio (a lei deve-se adequar à prática, seja ela legal ou não), a seguir o que é que vão fazer? Legalizar o proxenetismo? Legalizar o consumo de drogas?
24/10/2003